Sua presença

 

Sua presença
anda perturbando
o meu eu psicoemocional.
O que faz desencadear em mim
descontrolados
e desenfreados
desejos. 

Vontades lícitas e ilícitas.
Lícito de te ter abraçado a mim.
Lícito de te ter dormindo colado a mim,
                              embaixo do cobertor.
             Inquietantes são os dias de frio.
Lícito de só te observar
              em seu sono tranquilo e calmo.
Lícito só de poder te ver,
                    contemplar-me em seu sorriso,
                    e me perder TODA 
                    em meio ao espaço e tempo
                    na imensurável plenitude do teu ser.
Ilícito é poder te ter
                                 a todo instante,
                                 em qualquer hora do dia.
Ilícito de também ser só tua.
                          Isso me descontrola
                          e o ambiente por muitas vezes
                          fica rarefeito. 

Sua presença
anda me perturbando.
Não consigo mais parar
de pensar em você.
Não consigo mais parar
de te desejar em todas as suas formas. 

Ouvir-te assobiar
é como jogar lenha na fogueira.
Na fogueira dos meus pensamentos
por ti,
em ti,
contigo em mim. 

Ouvir-te falar,
seja com quem seja
é como jogar álcool,
para apagar o fogo
dos meus pensamentos
por ti,
em ti,
contigo em mim. 

Não consigo,
ando queimando
dia após dia.
Pois estou envolta de comburente
e o combustível que vem de ti
faz-se incessante. 

Por que você veio pra perto de mim?
Se não tivesse um macho
no meu território,
eu hoje não estaria em plena combustão
descontrolada,
ardorosa
e intensa.
É por isso que eu não lhe peço mais nada,
nem um favor,
nem uma ajuda.
Pois você sempre disposto,
com aquele sorriso avassalador
é combustível puro para a minha queima. 

Dos meus olhos
além de ternura e amor,
saem labaredas em vossa presença.
Eles ficam parados,
imóveis em sua pessoa.
Evito até não piscar,
para não perder nem um segundo sequer
de sua presença
que me encanta,
       seduz-me,
       conquista-me,
       perturba-me,
       enlouquece-me,
       queima-me
em meios a um fogo vermelho,
                                    amarelo,
                                    laranja
                                    e azul. 

Sua presença
anda me perturbando.
Então, quando se dirigir a minha pessoa,
POR FAVOR
venha mal arrumado.
Pode até ser com roupa rasgada,
                                              suja,
                                   remendada.
Venha todo amassado,
com bafo de onça
e peido de cheiro ardido.
Venha com o cabelo bagunçado,
com o corpo descontrolado e
depois disso tudo,
POR FAVOR
NÃO sorria.

 

Letícia Luccheze.

 

Poema escrito para José Sandoval.