O banho

 

Ao pisar na rua de casa, veio o alívio de mais um dia de trabalho. Subiu sem mais preocupações os últimos metros; pegando o chaveiro e identificando em meados as chaves que iria usar.
        Se aproximando do portão, percebeu que estaria só. Neste instante um sorriso se fez. Pois sua vida sempre foi feita sobre regras e disciplinas e naquela condição se sentiria mais a vontade.

        Fechou a porta da sala colocando um ferro trás. Evitaria se surpreender com a entrada repentina de alguém.

        Avistando o seu quarto do corredor, tirou os sapatos deixando-os encostados pelas paredes do mesmo.

        Quarto à dentro colocou os acessórios do vestuário em cima de uma cadeira, juntamente com o chaveiro e a bolsa. Em seguida prendeu para o alto com dois grampos os leves cabelos que o vento antes beijará.

        Deitou na cama e fechou os olhos aos toques no controle do aparelho de som.

        Respirações profundas foram promovidas em base no poema tocado. Ficou naquele estado por alguns minutos.

        Ao terminar a primeira canção pôs-se de pé. Abriu a janela, tirou a roupa e jogou no sofá.

        As músicas se seguiam e com um brilho nos olhos aumentou o volume.

        Na estante pegou uma toalha, uma bucha, o sabonete líquido e seguiu para o banheiro. Este de cor esverdeado a cobria de anseios.

        Debaixo do chuveiro ainda desligado, pendurou a toalha e soltou os cabelos colocando o sabonete no chão.

        Abriu a torneira e de olhos cerrados ficou ouvindo o delicioso barulho continuo do cair da água. Sentia cada respingar.

        Vagarosamente os dedos penetraram na água. Aquela sensação fez ficar ereto os pelos da pele desnuda.

        A água corria pelos cabelos, pescoço, seios, barriga, pernas e pés.

        As paredes do banheiro ficavam molhadinhas com o calor omitido de ambas as matérias.

        Já com os olhos abertos, via a água evaporando. Sua pele esquentava com a água, a água esquentava em sua pele e ambas esquentavam com o ambiente teso.

        Sentou no piso verde estendendo as pernas. O friozinho do chão trazia sensações novas e delirantes.

        Abriu o sabonete e deixou que gota a gota caísse. Aquelas gotas embranquecidas trouxe um gosto a boca.

        Massageou as pernas envoltas no líquido, os pés, os dedos dos pés, as solas dos pés, os tornozelos. Subiu para os joelhos, as partes externas das coxas e as internas.

        Chegando em seu sexo, despejou em jatos o sabonete. Não se contendo, levou rapidamente suas mãos. Acariciou os pelos pubianos, o monte de Vênus, o clitóris, os lábios maiores e os menores. Na entrada da vagina em meio a sussurros, deixou que o dedo impregnado penetrasse.

        Contorcia de prazer em meio à água corrente, o vapor e o líquido branco por toda parte.

        Foi se restabelecendo aos poucos, para dar continuidade a outros prazeres que viriam.

        As mãos cheias de sabonete foram de encontro às nádegas. Os mesmos dedinhos bailavam na entrada do ânus. Houve-se então mais sussurros.

        O clima entorpecia e um vento frio da janela chegava até a sua alma; contribuindo sem saber para o aumento da excitação daquele momento.

        Ela pensa em sexo, cheira sexo, vê sexo, ela é sexo.

        Quase em desespero, correu com as mãos lentamente para as costas, barriga e umbigo. A quantidade de sabonete nos seios trouxe novamente o gosto da língua na boca. Acariciou suavemente os seios, pescoço, pálpebras, orelhas, lábios, seios...

        Para suavizar um pouco, levantou para pegar um frasco de shampoo, que estava sobre uma prateleira de vidro. Despejou nos cabelos desembaraçou-os com os dedos das mãos.

        Olhando para o frasco de shampoo de volta na prateleira se excitou, ao notar a sua forma. De volta em suas mãos, o lambeu e depois introduziu na boca em movimentos os mais diversos. Percorreu com o cabo do frasco em regiões determinadas e não determinadas. Parou em seu sexo e friccionou intensamente. Com um gemido agudo de gozo ocorreu à penetração.

        Tentando se agarrar na parede de tesão, notou na prateleira outro frasco de shampoo.

        Que delícia! Pensou apossando dele.

        Lambuzou todo o fálus com o sabonete, levando a boca, lambeu todo o seu sêmen. Em seguida o cabo do frasco do shampoo, sofregou por entre a sua espinha dorsal. Envolto do seu furico, soltou mais um gemido agudo. Ouve a segunda penetração.

        As leves batidinhas dos frascos contra a parede lhe tirava mais e mais gemidos de prazer.

        Naquele grandioso mundo de um banho, o êxtase condensava os instantes em minutos ardentes.

        Algum tempo depois, retirou os frascos gostosamente um a um.

        Pondo-se agachada, introduziu um dos frascos fazendo movimentos contínuos de entrada e saída. Passava-o para frente e para trás, para trás e para frente, sugando e expulsando.

        Agora com os dois, fez ocorrer novamente à dupla penetração.

        Não havia mais a música, somente a exalada do som do seu desejo, do seu cheiro.

        Ficou de quatro, cinco, seis, sete... Deitou de barriga para cima, para baixo, de lado, virada...

        A água incessante escorria por entre os gozos.

        O desejo foi se satisfazendo e acalmando. Retirou o frasco de seu sexo e lambeu sua secreção, seguido do outro que adocicou mais a boca.

        Retornando os frascos para a prateleira, pegou a bucha e embriagou-a de água. Em atos contínuos, deixou que a água caísse sobre os cabelos. E deles escorreram uma espuma branca que cobriram os seios correndo pra os pés.

        Desligou a água e pegou a toalha, voltando para o quarto.

        O som seguindo a sua programação continuava em seu trabalho.

        Passou aquele creme e aquele perfume. Vestiu um vestido que era mais leve que o próprio vento. Calçou o sapato, colocou o brinco, o colar e o anel. Passou batom marrom avermelhado, pegou a bolsa e em meio à música do aparelho de som, saiu para o cinema.

        “Alguém me disse um dia, o mundo é todo seu

        Sonhar já existia, quando o amor nasceu

        Senti naquele instante um toque de magia
 

       
Sonhos não são impossíveis, são sentimentos reais
        Você não sofre sonhando, você não sofre vivendo

        Por isso eu vivo te amando e te querendo sempre mais
 

       
Naquele instante eu via um mundo todo meu
        De amor e fantasia e agora aconteceu

        Parece que foi ontem mais hoje é outro dia
 

       
Sonhos não são impossíveis, são sentimentos reais
        Você não sofre sonhando, você não sofre vivendo

        Por isso eu vivo te amando e te querendo sempre mais

        O amor é a própria vida, precisa de emoção

        Será que tem saída, fala coração!

        Se o amor te chama agora não perde se desenvolvendo

       
Sonhos não são impossíveis, são sentimentos reais
        Você não sofre sonhando, você não sofre vivendo

        Por isso eu vivo te amando e te querendo sempre mais”

 

 

Letícia Luccheze.

 

                                                                                    MÚSICA DO CONTO: