No seu cu, ou no meu?

 

        ---Oi, tudo bem? ---ele.
        ---Ótima e você?
        ---Melhor agora. Olha, desculpe o atrevimento, mas gostaria e saber um pouco mais de você.
        ---Estou à disposição. Tenho trinta e cinco anos e você?
        ---Trinta e nove.
        ---Tu trabalhas com quê? ---ela.
        ---Sou analista de sistema (programador de computador).
        ---Está em casa?
        ---Não, estou no trabalho. Estou em Rio Verde, mais moro em Goiânia. Acho que volto amanhã.
        ---O que faz aí?
        ---Sou programador. Estou fazendo um sistema de contabilidade. ---ele.
        ---Rapaz trabalhador.
        ---É casada, ou tem alguém?
        ---Divorciada e você?
        ---Sou separado. Tem filhos?
        ---Não e você?
        ---Não.
        ---Separado há quanto tempo? ---ela.
        ---Dois anos.
        ---Ficou casado quanto tempo?
        ---Seis anos.
        ---Por que você separou?
        ---Várias coisas. Na época, passei por uma dificuldade financeira e ai as coisas pioraram. Brigas e tudo que poderia acontecer. Mais enfim, não deu certo e acabou. Na hora difícil e que realmente sabemos se a pessoa ama a gente ou não.
        ---E você porque separou?
        ---Infidelidade.
        ---Como assim? Ele te traiu? ---ele.
        ---Cada um escolhe o caminho que pra ti seja o melhor e ele escolheu o dele. Aí então eu escolhi o meu. Sem estresse.
        ---Mais como uma mulher linda como você e ele ainda procurou outra?
        ---Creio que seja falta de experiência.
        ---Não entendi? Poderia ser mais específica?
        ---A falta de experiência na vida, gera insegurança e faz com que a pessoa por vezes escolha o caminho errado. ---ela.
        ---Bom, num relacionamento tem que haver muita cumplicidade. Creio que a falta disso é que acaba com muitos relacionamentos.
        ---Isso aí eu não tive não. O meu casamento era um individualismo que era uma beleza. Quando você casou, tinha quantos anos?
        ---Trinta e três.
        ---E resolveu casar por quê?
        ---Estava apaixonado.
        ---Isso é bom! Faz bem pra alma e pro coração.
        ---É sim, mas e bom quando os dois fazem tudo pra dar certo e um apoia o outro também.
        ---É verdade.
        ---Você tem namorado? ---ele.
        ---Não e você?
        ---Não. Mais você é linda e está sozinha?
        ---Falta de homem.
        ---Você está a fim de um relacionamento sério?
        ---Não sou mulher de ficar. ---ela.
        ---Porque eu quero é algo sério e sincero. Estou cansado de ficar só e quero alguém pra mim. Mais ela tem que ser decidida.
        ---E você é decidido?
        ---Sim e muito.
        ---Isso é bom.
        ---Mais olha, quero alguém que esteja disposta à luta por um amor sincero e duradouro. Sem frescuras, mentiras, traições e enganações. ---ele.
        ---E você está disposto a lutar por isso também?
        ---Estou sim claro. Só estou à procura de alguém também decidida. Eu quero alguém que viva tudo comigo sem segredos. Quero alguém que possamos falar sobre tudo. Com cumplicidade entende?
        ---Isso é bom. E um dos alicerces de um bom relacionamento é a cumplicidade do casal. ---ela.
        ---Acho que devemos fazer tudo um pelo outro. Seja o que for. Afinal é bem melhor viver com alguém que podemos ser totalmente aberto.
        ---É verdade.
        ---Você faria qualquer coisa pelo seu namorado (marido)?
        ---Vale tudo não? E tem que ser os dois de mãos dadas.
        ---Eu faria tudo por ela.
        ---Que bom.
        ---Tudo mesmo. Como você gostaria que seu amor fosse? ---ele.
        ---Romântico, independente, saiba o que quer da vida, tenha iniciativa de forma geral, me ame acima de TODAS as mulheres da terra e tenha Deus no coração.
         ---Eu gostaria que ela fosse carinhosa, meiga, amiga, amante, cúmplice, que me apoiasse, fiel e sempre que quisesse algo era só me pedir. Que fosse aquela namorada tipo amante entende?
        ---Como é isso?
        ---Que fosse carinhosa, ousada, para nunca pensar em outro entende? Porque eu faria tudo por ela, fantasias, desejos dela, enfim tudo.
        ---E você não pensaria em outra não? ---ela.
        ---Não. Olha neste ponto sou muito fiel, mas confesso que gosto de ter liberdade com minha companheira, namorada.
        ---Liberdade como?
        ---Os dois juntos.
        ---Que tipo de liberdade?
        ---Em tudo, sem segredos entende. E você?
        ---Eu o quê?
        ---O que você pensa disto?
        ---Bons pensamentos os teus. Você pode ter várias mulheres, mas só quer ter uma?
        ---Não quero várias, só quero uma. Quero uma namorada só, entende? ---ele.
        ---Hoje é difícil encontrar um homem que queira apenas uma mulher.
        ---Quero uma só, que seja fiel. E juntos façamos as nossas fantasias, sem traição entendeu?
        ---E está tão difícil assim de arrumar uma namorada?
        ---Que queira algo sério e duradouro sim. Hoje muitas mulheres, querem e ficar com outra mulher.
        ---Isso é porque os homens andam levando as mulheres ao homossexualismo. Conheço mulheres que de tanto se decepcionarem com homens, estão pensando em virar lésbicas.
        ---Mas nem todo caso de homossexualismo feminino, teve este princípio.
        ---Mais está cheio viu! ---ela.
        ---Você pensa em ter outra?
        ---Não gosto de mulher. Meu trem é homem.
        ---Que bom.
        ---E você gosta de homem?
        ---Credo. Gosto de mulher. E confesso que é muito.
        ---Qual a sua altura?
        ---Um metro e setenta e oito e você?
        ---Um metro e setenta.
        ---Legal!
        ---Está em Rio Verde há quanto tempo?
        ---Desde segunda-feira. Presto serviço aqui. Fale-me uma coisa, você e fiel ao seu namorado?
        ---Sempre fui, E você?
        ---Sou sim, mas não gosto que me jogue balde de água fria não. ---ele.
        ---Como assim?
        ---Podemos falar abertamente?
        ---Manda.
        ---Olha, sou fiel sim, mas gosto muito de fazer sexo com minha namorada. Ficou decepcionada??
        ---Não.
        ---Você não fala de você. Queria saber de você também.
        ---Branca, professora de domingo a domingo. Hoje não fui à escola porque estou dodói. Deu febre de trinta e nove e meio. Um amigo disse que é excesso de trabalho. Já um dos chefes disse que é falta de relacionamento sexual. Segunda, quarta, quinta, sexta e sábado dou aula de Teatro. Terça dou aula de Artes Visuais, especifico de desenho e pintura em tela e no domingo dou aula de Português e Sexologia. ---ela.
        ---Nossa, você não tem tempo de namorar não?
        ---"Falta de tempo é desculpa por falta de método."
        ---Você gosta de manter relações sexuais?
        ---Acredito que todos gostam. Só tem aversão quem já teve traumas.
        ---Hum. Eu amo.
        ---Então não tem namorada?
        ---Estou procurando.
        ---Isso é bom. Tem quanto tempo que o último namoro terminou?
        ---Uns oito meses e você? ---ele.
        ---Dois meses.
        ---Olha, quero muito alguém, mas que não reclame do meio jeito.
        ---E como é o seu jeito?
        ---Sou simples, gosto de lugares mais tranquilos, curti a família, viajar, acampar, sair com amigos. Amo relacionamento sexual, mas e chato quando a namorada fica reclamando que eu gosto demais entende.
        ---Entendo. E que tanto você gosta?
        ---Muito. Amo assistir filmes com a namorada e quando der vontade, que seja na sala, na cozinha. Enfim, sempre que der vontade faça.
        ---Que tipo de filme? --- ela.
        ---Todos os estilos. Você gosta que seu namorado te pegue assim na sala, na cozinha?
        ---Em todos os lugares que der vontade.
        ---Você é fogosa, tarada? Eu sou e amaria que a namorada fosse também. Mais você é ou não?
        ---Descubra.
        ---Fala vai. É tão boa uma relação sem segredos.
        ---Não estou fazendo segredos. Apenas lhe dei algo pra desvendar.
        ---Hum. Aposto que você dever ser um vulcão. ---ele.
        ---Você é uma graça de pessoa.
        ---Você é do tipo que vale tudo?
        ---Gostei disso.
        ---Vale ou não?
        ---Só você saberá me dizer ao certo.
        ---Só te peço uma coisa.
        ---O quê?
        ---Que nossa relação tudo possa valer. Porque eu de vez em quando, gosto de comer o cuzinho da namorada. Tudo bem pra você?
        ---Que relação? ---ela.
        ---Concorda?
        ---Ainda nem temos nada.
        ---Nosso namoro. Eu quero é você.
        ---Me quer?
        ---Acho que temos muito em comum e eu quero algo sério e você?
        ---Sou séria. Então a nossa relação vai valer tudo? Porque eu de vez em quando, gosto de comer o cuzinho do namorado. Tudo bem pra você?
        ---Estou perguntado se você concorda?
        ---E estou perguntando se você concorda também; pois coloquei a frase no masculino.
        ---Fale mais claramente. ---ele.
        ---Vou falar de novo. De vez enquanto gosto de comer o cuzinho do NAMORADO. Tudo bem pra você?
        ---Você gosta?
        ---Ao menos o meu você está querendo comer né? E se eu não der o meu cu pra você, aí cai por terra essa sua ladainha de cumplicidade e fidelidade e você arruma outra só porque não dei o meu cu pra você. E quando o trem muda de figura e sou eu é que quero comer o seu cu. E aí, como é que fica?
         ---Desculpe.
         ---Não se desculpe. ---ela.
         ---Não gosto não.
         ---Não gosta de quê?
         ---De dar o meu cu.
         ---Como!
         ---Não gosto disto não.
         ---É, mas a mulher tem que gostar se não você a troca.
         ---Tudo bem se não quer dar o cu. Fazer o que né? ---ele.
         ---Não disse que não ia dar o cu. Apenas estou mostrando pra você, que quando o quadro se inverte o trem pega. Se a mulher não dá o cu para o homem, ele é infiel e chega ao ponto de trocá-la. Agora se o homem não dá o cu pra mulher, ela continua fiel e não o troca. Se a mulher não mantém relacionamento sexual oral com o homem, ele é infiel e chega ao ponto de trocá-la. Agora se o homem não mantém relacionamento sexual oral com a mulher, ela continua fiel e não o troca. Se a mulher não faz as taras sexuais do homem, ele é infiel e chega ao ponto de trocá-la. Agora se o homem não fizer as taras sexuais da mulher, ela continua fiel e não o troca. Está percebendo o que está acontecendo? Os homens cobram muito da sexualidade da mulher, mas quando elas é que cobram dos homens, vocês fogem. Fora que o homem quer que a mulher engula todo o pau dele, aí vocês homens passam a língua umas três vezes na vagina dela e dizem ter feito um relacionamento sexual oral. Não aguento vocês homens não.
         ---Pensei que você não gostasse de comer cu de homem.
         ---Não tenho nada contra. Mas você entendeu o que eu disse?
         ---Mais se você gosta, acho que não vamos dar certo então não. E é uma pena; pois gostei muito de você.
         ---Você não entendeu nada do que eu falei. Então só porque você não quer me dar o seu cu, a gente não vai dar certo? Mais eu tenho que dar o meu cu pra você né. E se eu não der também, a gente também não vai dar certo? E aí, a sua prosa de fidelidade, cumplicidade morre em terra seca. ---Ela.
         ---Você só quer namorar comigo se você comer meu cu?
         ---Seu eu não der o meu cu pra você, em seu ver a gente também não ia dar certo.
         ---Não é isto.
         ---É o que então? Por que deixou claro a questão do relacionamento sexual anal? ---ela.
         ---Porque achei que você gostasse.
         ---Você não achou e sim determinou, mesclou em uma pergunta. Foi por isso que antes questionou o quesito liberdade e vale tudo etc. e tal.
         ---O que você gosta então?
         ---Aí é que está. Tem que se ter entrosamento, limite e respeito e não impor os gostos ao outro.
         ---Então fala o que gosta?
         ---E se o outro não fizer, a tal da fidelidade cai.
         ---Não é assim não.
         ---Convenhamos, que se eu não der o meu cu pra você, logo, logo você desinteressa por mim e vai procurar outra que dê. Agora quando reverte à situação para o homem, a coisa muda de figura por quê?
         ---Não e isto não. ---ele. 
         ---Não é liberdade, cumplicidade etc. e tal. Não é vale tudo etc. e tal. Qual o problema então deu comer o seu cu também? Já que eu tenho que dar o meu pra você comer.
         ---Sei lá. É chato deixar a namorada comer o cu.
         ---E não é chato deixar o namorado comer o cu da namorada não??? Não coloque o relacionamento sexual anal como uma imposição na relação. O coloque apenas como mais uma forma de prazer; pois você encontrará muitas mulheres que não gostam desta prática. Sendo assim você terá que respeitá-las. Por que o que fazer numa situação dessas? Trepar com outras?
         ---Entendi. Tudo menos traição. Prefiro manter relações sexuais só com a namorada.
         ---Mais ela não te dá o cu? E aí vai você desvalorizá-la, chantageá-la, pressioná-la?
         ---Claro que não.
         ---É! Mas se a mulher trocasse o homem que não desse o cu pra ela, como ele faz com ela, seria muito homem trocado.
         ---Bom, já vi que você não gosta disto.
         ---Acaso você já foi traído? Porque vira e mexe você coloca o quesito fidelidade na conversa. Porque dizem que quem mente pensa que todos mentem. Então, quem trai pensa que todos traem. ---ela.
          ---Já fui traído e nunca trai; pois prefiro fazer com a namorada.
          ---Se faz tudo etc. e tal, então por que foi traído?
          ---Porque foi na época da dificuldade financeira e acabei sendo traído. Mais já foi.
          ---Dificuldade financeira como? Você não tinha trabalho?
          ---Quebrei financeiramente e passeio maus momentos. Na época estava com um negócio próprio. Mais por favor, me fale o que você gosta. Até para conhecê-la melhor e não dar mais fora.
          ---Então quer é me conhecer sexualmente?
          ---Em tudo. ---ele.
          ---Em momento nenhum, eu disse que não gostava de relacionamento sexual anal. Pra falar a verdade eu amo que o homem me foda todinha no cu.
          ---Quando podemos sair juntos?
          ---Pra você me comer?
          ---Seria um prazer.
          ---Está bem, mas no seu cu, ou no meu?

  

      Letícia Luccheze.