Ilha

 

Sós.
Ele não sabe
o que é gostar.
Ela sabe
o que é amar. 

Como foram parar?
Através do pensamento.

Ali se olharam,
beijaram-se
e se tocaram ardorosamente.
Ele de forma carnal,
ela de forma amorosa. 

Se não fosse
a incoerência
da ilha,
longe ele estaria. 

As ideias se defrontam,
os sentimentos se abalam.
Ele ao Norte,
ela ao Sul.
Isolada refugia
secretamente. 

Ele sobrevive,
ela vive
e de longe o admira.
Ele quase sempre
fracassando em suas buscas.
Ela disfarça
e constante o ajuda. 

Ele
com sorrisos
não sabia que a ela
pertencia.
Por vezes
ele tenta achá-la.
Por qual razão?
Talvez,
egocêntrica solidão. 

Ela
o observa
e em sua grossura,
chora, na ausência
de sentimentos sublimes. 

Como pode
o corpo do homem
viver em grupo,
mas a sua alma
fazer morada
numa ilha? 

Sem ele saber
e faz questão de esconder,
uma nova vida surge.
Faria alguma diferença?
Não!
Então o melhor é calar. 

Alguns contatos visuais
e floras.
Ele não notou.
E por que notaria? 

Em lágrimas
às noites se tornam
mais frias.
E sem o doce sorriso,
paro de pensar
e a realidade se apresenta.

 

Letícia Luccheze.