Faltou-me ar

 

O dia cansativo,
na solidão da minha alma.
Em teclas do computador,
uma página entrei,
querendo apenas um pouco de atenção! 

Sua presença foi marcada,
em mensagens enviadas.
Feliz e surpresa com deveras atenção,
a alegria em suspiros preencheu aquele vazio.
E-mail pra cá, e-mail pra lá. 

Contentamento em euforia latejante.
Em mesma noite do Sul ao Criméia.
O Leste surpreso em delícias
e o Sul em momentos de sorrisos.
Leituras silenciosas no aconchego de quartos.
Olhos brilhantes,
no lento caminhar de letras digitadas. 
E-mail pra cá, e-mail pra lá. 

Em dias consecutivos,
textos de palavras tão simples,
acarretadas de sensibilidade e verdade.
Meus olhos atentos
as vírgulas do seu pensamento,
admirando
e me levando na melodia do sentimento.
Confissões, declarações e elogios.
Agonizava o anseio de ter.
Número pra lá, números pra cá. 

Em toque aflito,
o que se achava inexistente
se fez achado.
Madrugadas que vieram,
madrugadas que se foram.
O ouvir e encantar
em excitação transparente.
Calmo, atento, detalhista e observador.
Órgãos acelerados
em batidas desgovernadas,
fez o pulmão soluçar
na harmonia de seu ser.
Faltou-me ar!
Número pra lá, números pra cá. 

O não querer desligar,
na confirmação de um encontro.
Segundos se faziam em minutos.
Na companhia do medo
da incerteza do certo.
Nervosismo e insegurança
em caminhos diferentes.
Perguntas perambulando
com vontades saborosas.
“--- Como faço pra te dar o primeiro beijo?? ---ele”.
Aflição e frio no estômago
em resposta concreta.
O toque!
Elogios pra lá, elogios pra cá. 

O encontro feroz,
vozes bailam no ar,
interrompidas
pela necessidade do toque labial.
Ardentes em desejos,
acompanhados de inesquecíveis
afagos piegas,
de suas mãos firmes e fortes.
Em seus lábios carnudos,
macios e quentes,
faltou-me ar!

 

Letícia Luccheze.