Eu queria ser um pássaro

 

Não precisa ser bonito,
nem que tenha penas coloridas;
somente um pássaro.
Pode ser preto e branco,
pode ter o bico torto,
pode ser como os pardais.

Eu queria ser um pássaro.

Qualquer um, sem distinção.
Para voar por cima de todos e tudo
e sentir o ar quente
batendo em minhas penas.
Com minhas asas,
soltarei-me de tanta tristeza,
que finca meus pés na terra.
Tristeza dolorida,
que dói somente no interior,
somente no coração. 

Eu queria ser um pássaro. 

A cada dor,
a cada sentimento magoado,
abala toda uma estrutura,
que faz nascer uma lágrima.
Não ligam para os sentimentos!
Não ligam para o amor!
Não ligam para nada!
Nestes momentos de angústia,
não resta nada... apenas morrer...

 Eu queria ser um pássaro. 

Pra voar sobre as nuvens quentes e frias,
sentir o perfume das rosas
e ouvir o som da brisa.
Cantar junto com o riacho uma canção,
e rolar junto com as folhas
levadas pelo forte vento.
Mergulhar num mar profundo...
e com minhas asas,
poder nadar em suas águas doces e calmas. 

Eu queria ser um pássaro.  

Pra brincar como as borboletas,
sorrir como as hienas
e viver como as árvores.
Voar sobre o mar!
Voar sobre terras!
Ser livre, ser solta, ser feliz talvez!
Procurar a felicidade perdida,
a felicidade escondida.
Talvez num mundo distante...
...talvez nem exista...

 Felicidade é uma palavra desconhecida.
Uma palavra que por enquanto,
não tem significado.
Uma palavra...
apenas uma palavra,
entre milhões de outras,
num pequeno dicionário.  

Eu queria ser um pássaro.

 

Letícia Luccheze.