Em ti

 

Dias nublados,
tempo fechado.
Pessoas pacatas,
ditas como normais.
Trabalho, casa,
casa, trabalho.
Aquecedores, meias,
agasalhos e cobertores
não conseguiram
dar calor ao homem.
E assim o curso seguia.
Um curso,
que ninguém sabia,
de onde vinha,
ou pra onde ia.
Apenas reproduziam,
sem reflexões.

Mas, em um dia,
como outros,
você foi,
foi e não foi.
Fez que foi e não foi.
Foi e parou.
Parou e retornou.
Algo,
fez interromper seu caminho.

Diga-me,
peço-lhe humildemente.
Diga-me,
o que fez interromper
o vosso percurso?
Diga-me,
o que viu?
Diga-me,
o que sentiu?
Diga-me,
o que pensou?
Diga-me,
o que mudou a sua rotina?
Diga-me,
o que invadiu teu corpo,
de forma brusca
e avassaladora?

Foi, parou,
retornou poucos passos
e prostrou diante de uma porta aberta.
E sem exitar,
abriu um sorriso,
que ficou estagnado no tempo e espaço
do meu olhar.
Quando,
simplesmente você sorriu,
vosso corpo todo iluminou,
a vossa alma se apresentou
e vosso coração disse: “Oi, estou aqui!"

Gostaria,
gostaria muito,
que tivesse visto com os meus olhos,
tudo o que vi.
A luz irradiando do teu corpo
para o meu.
Não só iluminaste todo o espaço,
como penetraste minha alma,
transpassando paredes e janelas,
afugentando as nuvens
e dispersando agasalhos.

Me perdi,
deixei-me perder em vosso sorriso,
segando-me os sentidos
no compasso da respiração arfante.

Você deveria sorrir mais,
porque nos instantes de um sorriso vosso,
tu não somente afugentaste o frio,
como também mudaste a vida.
E isso com apenas um sorriso.


Letícia Luccheze.

 

                        

                                                                                                      Poema escrito para Júnior Borges.